Burkina Faso: Atentado à educação

O Burkina Faso, país situado na África subsariana, tem vindo a sofrer ataques terroristas constantes nos últimos anos, focando-se nas escolas do país. Este conflito já conta com mais de 900 mortos e 860 mil deslocados, apenas nos últimos 5 anos.

Os ataques são levados acabo por milícias terroristas que aterrorizam os países daquela região. Existem vários grupos terroristas que operam na região, particularmente extremistas islâmicos, incluindo o Estado Islâmico de África Ocidental.

14 regiões do país, particularmente fronteiriças estão em estado de emergência devido à violência que está a devastar o país. Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 2,2 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária devido a este conflito.

Um dos principais alvos dos ataques são as escolas, uma vez que os terroristas islâmicos se opõem à educação que consideram ocidental. A tentativa de impedir a educação secular das crianças burquinenses levou a vários professores executados, livros queimados e escolas destruídas. Esta onda de violência tem vindo a aumentar ao longo dos anos, um dado preocupante numa situação já particularmente frágil.

Estes ataques têm prejudicado grandemente a vida das crianças e professores burquinenses, que colocam a sua vida em risco para ir à escola. Estes ataques, aliados à situação pandémica, forçaram o governo a encerrar todas as escolas, deixando 350 mil crianças sem aulas e sem possibilidade de aprenderem. O ministério da educação afirmou em abril de 2020 que 222 trabalhadores da área da educação tinham sido vítimas do terrorismo. Embora as crianças não sejam normalmente alvos dos ataques, já foram registadas mortes de jovens estudantes por balas perdidas ou outros ataques que visam as populações burquinenses.

Estas questões têm muito mais consequências do que aparentam. A Human Rights Watch alerta que muitas destas crianças se tornaram pedintes (quer por dinheiro, quer por trabalho) e ainda que muitas jovens são obrigadas a aceitar casamentos forçados. As crianças, vendo-se impedidas de prosseguir nos estudos, acabam por trabalhar em minas ou nos mercados, de forma a assegurarem a sua subsistência, relata a Human Rights Watch.

A situação no Burkina Faso continua a deteriorar-se, quer pelos ataques terroristas que continuam bem presentes na região, como também pela situação epidemiológica que continua a acentuar os problemas já vividos no país, como a pobreza ou a falta de infraestruturas. Esta situação tem dificultado o acesso à educação, o que tem vindo a afetar as taxas de conclusão e de presença, prejudicando toda uma geração de jovens burquinenses, que veem assim o seu acesso à educação negado.

Fontes: BBC, Aljazeera, Human Rights Watch

Foto de Capa: Uma mulher deslocada na aldeia de Yagma. (Issouf Sanogo – Agence France-Presse)