14 de setembro de 2020, uma data para relembrar ou apenas mais uma das infrutíferas iniciativas de paz no Oriente médio?

Após um período de negociações secretas, foram oficialmente assinados os acordos de paz de Abraão.

Os acordos de Abraão, realizados entre Israel e os Emirados Árabes Unidos (EAU) e Bahrein, mediados pela Casa Branca, representam a normalização das relações (diplomáticas, comerciais, turísticas e cooperação em setores chave – energia, saúde, educação) entre o estado israelita e a potência sunita assim como o reino de Bahrein, em troca da promessa de não anexação da Cisjordânia por parte de Israel. Este normalizar de relações entre os EAU e Israel não é surpreendente visto que ambos os estados têm relações próximas com o presidente norte-americano e cooperam no sentido de conter a “ameaça” xiita iraniana.

Desde as acusações de eleitoralismo a Trump, às acusações de Netanyahu promover falsos “consensos” com vista a acalmar as críticas internas, às críticas direcionadas aos EAU por “abandonarem” o povo palestiniano e às críticas devido a Israel pouco ceder em troca do restabelecimento de relações com a principal potência muçulmana (sunita) da região. Estes acordos têm sido alvo de muitas críticas, manifestações de reprovação e frieza por parte da comunidade internacional.

Apesar das críticas, estes acordos representam um ténue, mas importante passo para a reconciliação no médio oriente, visto que podem abrir a porta à convergência dos povos na região. Ainda sem garantias concretas, a Casa Branca já sugeriu que outros cinco países da região, assim como a autoridade palestiniana e o Irão, poderão vir a fazer parte destes acordos, o que vem sustentar esta possibilidade.

Concluindo, embora estejam longe de ser a solução para os graves problemas que assolam a região, estes acordos, desde que acompanhados duma ação contínua e desinteressada e com a participação de todos os intervenientes em jogo à mesa das negociações em nome da paz, podem vir a ser a porta de entrada para um futuro pacífico e de cooperação no Oriente Médio.

Assim, sem uma resposta clara para a pergunta de abertura, e, como as relações multilaterais no Médio Oriente já nos têm vindo a habituar, cabe ao tempo respondê-la.