A perseguição política continua na Bielorrússia

A perseverança dos protestos pacíficos bielorrussos prolonga-se e continua a ser alvo de violência por parte de forças de segurança.

Nos passados meses tem sido muito relatado o período tenso que se tem vivido na Bielorrússia. Embora já não seja manchete diária nos media internacionais o desrespeito pela liberdade de expressão e participação física não acalmou.

Os holofotes internacionais começaram a destacar a Bielorrússia quando a 10 de Agosto, face ao resultado das eleições presidenciais onde o Presidente Alexander Lukashenko foi reeleito com 80,23% dos votos e a popular candidata da oposição Sviatlana Tsikhanouskaia apenas conquistou 9,9% dos votos, a população bielorrussa e a comunidade internacional começaram imediatamente a acusar o Estado Bielorrusso de manipulação de resultados devido às projeções bastantes positivas para a oposição.

No mesmo dia dos resultados das eleições, enormes protestos pacíficos deflagraram por toda a Bielorrússia, especialmente em Minsk, a capital da Bielorrússia, onde milhares de cidadãos encheram as ruas não aceitando o desfecho das eleições. Os manifestantes, embora pacíficos foram recebidos pela polícia bielorrussa de forma violenta sendo que as forças de segurança agrediram e detiveram ilegalmente inúmeros manifestantes indefesos, resultando numa morte e em dúzias de feridos graves. Para além disso a candidata da oposição Sviatlana Tsikhanouskaia, devido ao medo da perseguição que poderia sofrer após as eleições, exilou-se na Lituânia. Embora não tivesse sido obrigada ao exílio pelo governo Bielorrusso a sua posição é compreensível devido à história bielorrussa de perseguição da oposição política.

A situação de protestos e tensão após eleições não é uma novidade na Bielorrússia, sendo que, como mencionado anteriormente, é um Estado onde é atribuída a reputação de repressão política e restrição da liberdade de expressão.

Um caso prévio às eleições, que chocou o mundo, foi o rapto de Maryia Kalesnikava, um membro da oposição, que foi vista em plena luz do dia a ser raptada por homens encapuçados e a ser posta numa carrinha. Este caso testemunhado contradiz as declarações das autoridades Bielorrussas que afirmavam ter detido a opositora na fronteira com a Ucrânia.

A Bielorrússia não se ficou pela detenção e agressão dos manifestantes pacíficos. De acordo com testemunhos de diferentes manifestantes dentro dos centros de detenção, os mesmos são submetidos a tortura, sendo forçados a despir-se, ser agredidos e ameaçados de violação. Um testemunho por parte de Katsyaryna Novikava, uma das manifestantes, relata um terreno inteiro no campo de detenção onde dúzias de homens foram forçados a despir-se completamente e deitar-se na terra onde seriam então agredidos com cassetetes.

Embora já não tenha a cobertura mediática de há uns meses atrás os protestos na Bielorrússia não pararam. A 9 de Novembro foram detidos, de acordo com o grupo de proteção de direitos humanos Viasna, 1053 manifestantes pacíficos, por nenhuma razão sem ser a de a sua reivindicação de direitos e liberdade de expressão. No dia 12 o artista Raman Bandarenka morreu no hospital após um confronto verbal com homens mascarados que teriam efetuado uma operação de remoção de bandeiras e símbolos de protesto contra o resultado das eleições e o governo bielorrusso no seu bairro. Este confronto culminou em agressões físicas a Raman que foi espancado brutalmente e transportado para uma esquadra da polícia.

A Bielorrússia tem sido criticada internacionalmente pelas suas afrontas aos direitos humanos, mas, no entanto, nenhuma ação foi tomada pela comunidade internacional. O Estado Bielorrusso continua assim a deter, torturar e matar os seus próprios cidadãos sem ter qualquer repercussão.

Fontes: Amnesty Internacional, DW, BBC

Imagem de Destaque: Protestos anti-Lukanshenko em Outubro de 2020 (Max Katz / CC 2.0)