Petrópolis. Maior tragédia da cidade causada por chuvas e deslizamentos de terra

Em questão de seis horas, choveu mais do que se esperava para todo o mês de fevereiro– cerca de 260 mm.

A região de serrana em Rio de Janeiro segue em estado de crise após diversos alagamentos e deslizamentos de terra, provocados por chuva intensa, terem danificado a cidade e levado a várias mortes. De acordo com a nota divulgada pela Prefeitura de Petrópolis, a equipa Técnica e Científica da Polícia Civil estima que, até hoje, a tempestade ocorrida a 15 de Fevereiro tenha causado 231 mortes, sendo que destas 137 eram mulheres e 94 homens. Das vítimas, 44 são menores de idade.

O grande volume de água causou o arrastamento de veículos pelas ruas, além de uma série de enchentes pelo município e do rio Piabanho. Em conjunto com a destruição de inúmeras casas, a catástrofe levou a que fosse decretado estado de calamidade na cidade de Petrópolis.

Fonte: CNN Brasil
Fonte: CNN Brasil

Até à noite de sexta-feira, 25 de Fevereiro, o portal de desaparecidos da polícia civil tinha reportado 20 pessoas como desaparecidas. De modo a localizar e identificar estes indivíduos, a polícia nacional, juntamente com o Tribunal de Justiça e Defensoria Pública, tem recorrido à recolha de ADN de famílias que registaram os desaparecimentos junto das autoridades.

Segundo também os jornais locais, pelo menos 874 pessoas tiveram de procurar abrigo numa das 14 escolas públicas que têm servido de locais de acolhimento para a população desabrigada. Nesses locais, a população tem ainda sido apoiada por assistentes sociais, profissionais de saúde, de educação e agentes comunitários, além da própria Defesa Civil.

Uma das áreas mais devastadas foi o Morro da Oficina, no bairro Alto da Serra. Ali, segundo estimativas das autoridades locais, pelo menos 80 casas foram atingidas por uma barreira que caiu na região. Outras regiões, como 24 de Maio, Caxambu, Sargento Boening, Moinho Preto, Vila Felipe, Vila Militar e as ruas Uruguai, Washington Luiz e Coronel Veiga também foram gravemente afetadas.

À CNN, Alexsandro Condé, morador do Alto da Serra há mais de 40 anos, explicou os danos causados pelas chuvas:

“Quando eu cheguei no quarto já sentia uma vibração na casa. Essa destruição foi toda em cinco segundos. Perdi meu filho, meu irmão, um amigo…

A tempestade foi considerada a maior tragédia da história de Petrópolis, e comparada à chuvas semelhantes que atingiram a cidade nos anos de 1988 e 2011. Equipas de limpeza têm, desde então, trabalhado na limpeza e reconstrução do Centro de Petrópolis. Pelo menos 16 vias, que estavam bloqueadas por deslizamentos, já estão desimpedidas. Ainda segundo a prefeitura o abastecimento de energia elétrica já foi estabelecido para 30 mil pessoas, assim como o fornecimento de água, que foi normalizado para 96,3% dos habitantes desde a tragédia.

Diante a situação, instituições como ONG Ação da Cidadania e Flamengo; a Cruz Vermelha de São Paulo; a ONG SOS Serra; a prefeitura do Rio de Janeiro; o Santuário de Cristo Redentor; e a Paróquia São José da Lagoa têm angariado donativos como produtos de higiene, alimentos e água para as vítimas afetadas, através de campanhas de ajuda nos estabelecimentos e campanhas online.

Fotografia de destaque: CNN Brasil

Fontes: CNN Brasil; BBC News; G1 notícias; O Globo.